Hoje acordei às três e meia da madrugada. A pressão de um compromisso do trabalho não me deixou ir além.
Levantei sem relutar, lavei o sono espanando a preguiça para longe, apanhei o instrumento de trabalho e subi para meu ateliê no segundo andar da casa, que me deixa ver o mar da Praia do Futuro... Aposto que pensaram que não fiz a higiene bucal... Fiz! Não mencionei para não estragar o clima poético... Pronto, estraguei... Droga de mania besta de se preocupar com o que os outros vão pensar... Ah! O que lá se vai, lá se foi.
Estava um breu total, mas a brisa àquela hora trazia um friozinho agradabilíssimo.
Empurrei os dedos nas teclas da máquina de escrever cibernética e produzi bons pedaços de blocos de letrinhas na construção do Olho da Orca.
Lá pelas cinco horas e três minutos levantei a cabeça e notei uma leve claridade anunciando-se... Ainda não era capaz de fazer sombra.
Voltei a acariciar o teclado.
Lá pelas cinco e vinte e três a coisa foi diferente...
Posso jurar que uma caravela pesadíssima navegava da direita para a esquerda, tentando perfurar o mar com raios múltiplos alaranjados e bem definidos em forma de leque. Parecia que eu podia esticar a mão e tocar a embarcação brumosa, mas ela foi lentamente desmanchando-se e descortinando um espetacular amanhecer.
Eu escutava músicas do Ian Anderson: Divinities - Twelve Dances with God.
Há muito eu não degustava um espetáculo tão mágico e revigorante. Parei de trabalhar por um tempo... Esqueci a pressão do tal compromisso... Então resolvi tentar compartilhar com vocês essa fugaz experiência... Sei que é impossível! Mas sou muito teimoso para não tentar.
Vocês deveriam experimentar por conta própria, é indescritível! Agora... Têm que levantar antes do astro-rei!
Acordem!
Abraços,
Louis de Montagne.