sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Publicado na II Antologia do Papo Literário. Lançamento dia 17/Nov às 18h na X Bienal Internacional do Livro do Ceará - Estande 3 - Premius


INCERTO SERTÃO


                                      

Incerto sertão,

Dia de chuva,

Peixe afogado.

Dia de sol,

Corpo suado,

Aroma agridoce,

Cheiro de dor,

Sacrifício perene,

Sofrimento mal dormido.

Incerto sertão,

Dia de chuva,

Morada submersa,

Inundação de lágrimas, sonhos por sonhar.

Sem querer,

Sem revolta,

Vontade de Deus.

Deus te ajude!

É... Dia de chuva!

Incerto sertão,

Dia de sol,

Barriga vazia,

Saliva esquecida

Na imensidão do céu da boca.

Pele queimada,

Choro suspenso, lamento encravado no eco do grito.

Incerto,

Incerto sertão,

Às vezes certo... Sertão,

Dia de sol,

Dia de chuva,

Dia de sol,

Dia de chuva,

Dia de sol,

Dia de chuva,

Fartura na mesa,

Milho pamonha,

Milho canjica,

Milho cozido, simplesmente milho.

Feijão verde... Bem verdinho,

Queijo derretido... Bem liguento.

Sorriso feliz,

Franco,

Verdadeiro,

Ingênuo...

Sorriso feliz.

Menino pequeno,

Boquinha lambuzada,

Mel de rapadura com farinha,

Pequeno saciado.

Incerto sertão, incerto sertão...

Dia de sol,

Noite de sol,

Sonho de sol,

Delírio dourado,

Fome, escuridão,

Espinho e dor,

Mandacaru tostado,

Esperança desidratada.

Sofrimento,

Bigorna onde se forja o amor penetrante.

Herói...

Heróis, incerto sertão!

 
LOUIS DE MONTAGNE

sábado, 20 de outubro de 2012

QUINTAL DO INFERNO ganha prêmio literário

O autor de Homens de Fumaça: Assassinatos Dentro da Lei, LOUIS DE MONTAGNE, em outubro deste ano foi premiado no Concurso Literário de Fortaleza, promovido pela Secretaria Municipal de Educação. O livro vencedor, QUINTAL DO INFERNO, um romance policial repleto de intrigas e crimes de Estado, será publicado em breve com uma tiragem de mil exemplares. Aguardem notícias sobre o coquetel de lançamento. Grandes surpresas e mistérios estão sendo tramados...

Louis de Montagne.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

ACORDE E DEIXE A NATUREZA TE TOCAR

Hoje acordei às três e meia da madrugada. A pressão de um compromisso do trabalho não me deixou ir além.

Levantei sem relutar, lavei o sono espanando a preguiça para longe, apanhei o instrumento de trabalho e subi para meu ateliê no segundo andar da casa, que me deixa ver o mar da Praia do Futuro... Aposto que pensaram que não fiz a higiene bucal... Fiz! Não mencionei para não estragar o clima poético... Pronto, estraguei... Droga de mania besta de se preocupar com o que os outros vão pensar... Ah! O que lá se vai, lá se foi.

Estava um breu total, mas a brisa àquela hora trazia um friozinho agradabilíssimo.

Empurrei os dedos nas teclas da máquina de escrever cibernética e produzi bons pedaços de blocos de letrinhas na construção do Olho da Orca.

Lá pelas cinco horas e três minutos levantei a cabeça e notei uma leve claridade anunciando-se... Ainda não era capaz de fazer sombra.

Voltei a acariciar o teclado.

Lá pelas cinco e vinte e três a coisa foi diferente...

Posso jurar que uma caravela pesadíssima navegava da direita para a esquerda, tentando perfurar o mar com raios múltiplos alaranjados e bem definidos em forma de leque. Parecia que eu podia esticar a mão e tocar a embarcação brumosa, mas ela foi lentamente desmanchando-se e descortinando um espetacular amanhecer.

Eu escutava músicas do Ian Anderson: Divinities - Twelve Dances with God.

Há muito eu não degustava um espetáculo tão mágico e revigorante. Parei de trabalhar por um tempo... Esqueci a pressão do tal compromisso... Então resolvi tentar compartilhar com vocês essa fugaz experiência... Sei que é impossível! Mas sou muito teimoso para não tentar.

Vocês deveriam experimentar por conta própria, é indescritível! Agora... Têm que levantar antes do astro-rei!

Acordem!



Abraços,



Louis de Montagne.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

21º CONCURSO DE CONTOS PAULO LEMINSKI - 2010

RECEBI COM MUITA SATISFAÇÃO O SEGUINTE E-MAIL...

Boa tarde,


A Comissão Organizadora lhe parabeniza por seu conto nesta 21ª edição do Concurso de Conto Paulo Leminski, pois o mesmo ficou entre os 40 finalistas selecionados, queremos ressaltar que neste ano tivemos uma participação de 794 contos inscritos pela fundamental e expressiva parcela de talento e criatividade emprestaram ao evento. Escrever não é fácil. Clarice Lispector comparou certa vez o ato de escrever à árdua tarefa de quebrar rochas; por isso nós da Comissão Organizadora queremos em nome da Prefeitura do Município de Toledo e Unioeste cumprimentar as principais estrelas deste projeto os participantes que enriquecem ano a ano o nosso concurso, compartilhando através de suas narrativas percepções de mundo, vida e aflições cotidianas. É por meio da leitura dos trabalhos inscritos, nos aproximamos de muitas pessoas. A coordenação do evento, desde o princípio, tem conduzido os trabalhos com dedicação na preservação da transparência no julgamento das obras. Tem tomado o grande cuidado de que os contos sejam julgados unicamente pela sua qualidade e mérito literário, sem que nenhuma informação sobre a autoria chegue à banca que julga os trabalhos. Para tanto, dados referentes às obras – autores, procedência, titulação, etc – somente são divulgados após o registro por escrito do resultado de cada evento. E sempre temos tido a postura de aceitação das decisões tomadas pela Comissão Julgadora. Contamos com sua participação nas próximas edições e continue escrevendo e participando de eventos literários, pois a cada edição o que nos motiva a dar continuidade ao evento é a participação dos escritores de todos os lugares do Brasil e também de alguns do exterior, acreditando que a literatura é possível, tornando-se assim os verdadeiros autores do Concurso


Atenciosamente,

COMISSÃO ORGANIZADORA

DEPRESSÃO: Doença dos tempos modernos ou novo título pomposo para uma velha doença do homem?

Vou logo avisando: não sou médico, psiquiatra ou psicólogo, nem enfermeiro sequer eu sou. Sou filósofo sim, não da faculdade, mas do livre pensar. Portanto, acautele-se para essa leitura, arme-se dos pés à cabeça e traga consigo todos os seus preconceitos e formadas opiniões. Vamos guerrear!


As impressões que doravante vou dar são da pura, atenta e crítica observação da palavra DEPRESSÃO, desse conceito, dessa doença que provei um “tiquim” e vi instalar-se feroz em alguns parentes e amigos do coração.

Notei que ela é realmente diferente de todas as outras. É definitivamente uma doença que depende em grande parte do doente para ser curada. Aí você vai dizer: —Mastoda doença depende do paciente para ser curada!

Eu não vou discordar se você me disser: —Um corte na perna, sem cuidados, curativos e boa assepsia pode infeccionar, pode até evoluir para uma gangrena e resultar na perda do membro e talvez até na morte do paciente.

Mas aí eu vou refutar e dizer a você que, mesmo que esse paciente “não queira”, “não tenha vontade” de cuidar dessa ferida, posso eu cuidá-la contra a vontade dele. Nem que para tanto eu precise chegar a amarrá-lo no leito. Ainda que ele grite aos prantos que quer morrer de infecção pustulenta, eu posso cuidá-lo. Mesmo que depois de cuidar de sua ferida e vê-la seca e sarada, ele me esmurre a cara e pule lépido do vigésimo andar de seu prédio. Daquela ferida da perna eu posso cuidar contra a vontade dele. Mas...

Como se amarra o pensamento triste de alguém e o força a tomar um remedinho para voltar a sorrir? Onde está esse remédio senão dentro do paciente?!

Como se pode forçar alguém a ver que é amado, querido e sua vida é necessária e cheia de sentido, se o amor é tão concreto quanto o invisível ar que respiramos? Onde está esse remédio senão dentro do paciente?!

Como se pode teimar com alguém que, derramando rios de lágrimas, afirma convicto que não há razões racionais para estar como está? Como resolver tal paradoxo? Onde está esse remédio senão dentro do paciente?!

Como mostrar o espelho para alguém sem meter o dedo na dolorosa ferida e provar que, para os descendentes que se espelham em seu exemplo de vida, ficam temerosos de um futuro final tão negro e sombrio escondido no fundo dos genes? Onde está esse remédio senão dentro do paciente?!

Como dizer para alguém tão fragilizado, melindroso e inteligente que a vida não sabe o que é justo, nem cruel, nem belo, nem nobre ou heroico? Como dizer que são conceitos meramente antrópicos, próprios apenas do homem? Como dizer que a vida tem querer e o querer da vida é viver? Minha avó vai fazer cem anos! Pergunte-a se pensa em morrer? Onde está esse remédio senão dentro do paciente?!

Como explicar para vocês que quando escuto a palavra DEPRESSÃO me vem à mente a palavra CLEPTOMANIA?

Cleptomania é doença exclusiva de rico, ou pelo menos, dos bem remediados. Pobre não! Pobre jamais obterá um laudo psiquiátrico de cleptomania! Pobre que tem: “[De clepto- + -mania.] S. f. Psiq. 1.Impulso mórbido para o furto; clopemania”. (do dicionário Aurélio) é automaticamente diagnosticado como ladrão. Vai preso e leva uma “mão de peia”. Será que estou exagerando?

Como explicar para vocês outra dúvida: será que pobre tem DEPRESSÃO?: “[Do lat. depressione.] S. f. 9. Psiq. Distúrbio mental caracterizado por adinamia, desânimo, sensação de cansaço, e cujo quadro muitas vezes inclui, também, ansiedade, em grau maior ou menor 10. Fig. Abatimento moral ou físico; letargia” (do dicionário Aurélio).

Ou terá mau humor? Cara feia? Preguiça? Corpo mole? Falta de ânimo? Indolência ou lassidão?

Fico pensando se o consultório de pobre é a mesa de um bar, se o psiquiatra é uma garrafa de cachaça. Se a sessão etílica de psicodrama, de tão realista, inclui uma peixeira afiada de doze polegadas, que não raro, põe fim à depressão e ao depressivo. Mas o terapeuta sempre escapa incólume.

Fico pensando no esforço hercúleo que esse pobre depressivo pobre exerce toda inexorável manhã para por o pé no espinhento chão. Será que se olha no espelho ao escovar os dentes? Será que escova os dentes? Será que liga para o odor acre do sovaco colado em seu nariz no ônibus apinhado? Será que tem vontade de mandar seu riquinho chefe à merda? Será que seu coração humano fica oprimido? Angustiado? Dolorido? Será que ele chora escondido?

Fico pensando nos tempos antigos. Pensando num Nero entediado. Que teria sido ele? Um DEPRESSIVO? PSICOPATA? ESQUIZOFRÊNICO? “Queimo ou não queimo Roma? Faço um bacanal ou empalo um dos meus servos sexuais?”

Fico pensando por outro lado num soldado romano prestes a sair numa campanha bélica, acometido de DEPRESSÃO. Pobre coitado, se desanimado não seguisse a ordem de ataque de seu comandante, morria na espada do amigo; se desmotivado e capiongo cumprisse a ordem, morria na lança do inimigo.

Portanto, fico pensando que não importa muito se a DEPRESSÃO é uma doença dos tempos modernos ou novo título pomposo para uma velha doença do homem. O que importa é questionar se a química de sua cura reside no laboratório secreto da vontade do paciente. Se assim for, onde está esse remédio senão dentro do próprio doente?!

Resta saber se ele encontra sozinho ou vai pedir ajuda. Mas isso também só depende de sua vontade.

Posso obrigar outro homem a fazer o que desejo, mas nunca poderei obrigá-lo a desejar o que ele não quer.

A vontade é seu animal selvagem: dome-a ou ela o dominará.





30 de maio de 2010,



Louis de Montagne.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Como "fumar" um livro sem se intoxicar.

Caro, Louis de Montagne,

Do sábado de carnaval, 13, a segunda-feira, 15, dediquei meus momentos disponíveis para a leitura de Homens de Fumaça. Os 22 capítulos foram "fumados" em clima de interesse progressivo, tanto que seu livro ficou entre aqueles em que completei a leitura em curtíssimo tempo (3 dias). No final, o reforço da satisfação que tenho de não ser fumante e de, com mais alegria, constatar que meus quatro filhos, meu genro e minha nora - todos- abominam essa defectiva prática. Que, na sucessão, todos assim se manifestem.

Tadeu Fontenele
Coordenador da APCEF-SAÚDE no Ceará.

domingo, 29 de março de 2009

PARA LER DE UM FÔLEGO SÓ.

Os leitores brasileiros estão de parabéns, o livro “Homens de Fumaça” chegou às livrarias. O autor anônimo Louis Montagne, como está na capa do livro, merece nossos elogios. Mas não importa seu anonimato, o escritor está, com seu primeiro livro, referendado a partilhar dessa benigna confraria formada pelos renomados escritores nacionais.
“Homens de Fumaça” é uma história empolgante, com uma narrativa forte de vivas descrições. Surpreendeu-me o escritor por seu estilo gracioso, livre, rico em detalhes e adjetivos. Ele escreve como se trocasse de roupa e fizesse da escrita sua segunda pele.
Momentos de grande prazer e risos acompanharam-me ao longo da leitura da obra. O final regionalista e autoexplicativo pode e deve ser considerado no mínimo surpreendente. Para quem gosta de uma boa leitura e para quem gosta da prodigalidade da verve nacional, aconselho sua compra e leitura.


Carla Marzagão
Educadora e Advogada